Novelas e Companhia


Preparações para Maysa

No fim do ano passado, quando viu o teste de Larissa Maciel para o papel-título da minissérie Maysa, Jayme Monjardim achou a gaúcha muito parecida com a cantora, sua mãe. "Quando eu a encontrar, vou dizer assim: 'oi, mãe'", brincou com o produtor de elenco Leo Gama.

Àquela altura, em Porto Alegre, avisada por Leo, Larissa esperava a chegada de Monjardim para o primeiro contato com um certo nervosismo. "Leo me disse que a expectativa do Jayme era muito grande. Fiquei com medo e me preparei para decepcioná-lo. Quando ele me viu, levou mesmo outro baque. Falou 'nossa, você não tem nada a ver com ela'. Aí a gente riu, conversou rapidamente e ele me mostrou as imagens do teste. E, no vídeo, eu estava convencendo como Maysa".

Convenceu tanto que foi a escolhida entre 200 candidatas para estrelar a minissérie em nove capítulos, escrita por Manoel Carlos e Ângela Chaves, que a Globo lançará em janeiro de 2009. A produção vai misturar imagens de arquivo e ficção para contar a história da cantora e compositora que é um dos maiores mitos da música brasileira, teve uma vida cheia de amores e morreu tragicamente num acidente de carro em 1977. Um mês depois desse primeiro encontro com Monjardim, a atriz de 30 anos - que fez alguns papéis em séries da TV gaúcha, muito teatro e se virava para completar o orçamento com aulas de interpretação e treinamentos em empresas - assinou contrato com a Globo e se mudou para o Rio.

Este é o "projeto da vida" de Monjardim, "et pour cause", como diriam as mocinhas do externato Ofélia Fonseca, colégio de classe média alta de São Paulo onde Maysa estudou e horrorizou professoras e alunas com sua irreverência. "Me preparei a vida toda. Acho que estou pronto para ter o distanciamento necessário, e o Maneco vai poder contar a história dele sem pudores, mesmo eu sendo o filho da personagem principal", diz o diretor.

Manoel Carlos diz que usou farto material de pesquisa. "São mais de 50 pastas com recortes de jornais e revistas, muitas fotos e páginas do diário que ela escreveu durante bastante tempo. Não há nenhuma inverdade, mas não segui qualquer cronologia. É uma biografia livre".

A Maysa que barbarizou com sua rebeldia, voz grave, maravilhosos e tristes olhos azuis e falta de reservas em se expor vai ser apresentada, segundo Monjardim, como "uma mulher à frente de seu tempo". Já Larissa é bem uma moça do seu próprio tempo, digamos assim. Por exemplo, ao ser chamada para fazer o teste, não sabia muito sobre a cantora. Foi descobrir mais no YouTube. "Encontrei seis vídeos dela (hoje existem mais). Fui em busca de semelhanças: nunca ninguém tinha me dito que eu era parecida com ela. No primeiro vídeo que vi, ela cantava 'Ne Me Quitte Pas'. Tive um impacto. Pensei: 'caramba, que mulher é essa?'. Uma interpretação impressionante. Fiquei arrepiada. Achei os olhos grandes e claros parecidos com os meus. Mas, como ela era cantora, imaginei que só pela música eu enxergaria a alma dela. Então comecei a ouvir sem parar os três CDs que encontrei em uma loja", conta a gaúcha.

A atriz está morando num apart-hotel na Barra desde fevereiro e passa seu tempo quase todo no Projac numa "imersão-Maysa", que pretende ter um resultado transformador. Longe do rapaz que namora há oito anos, dos pais e do irmão mais novo, além dos três gatos, ela diz que "não tem tempo para sentir saudade". Não mesmo. "Pratico violão, faço aulas de canto, de fono, tenho DVDs para assistir... Tem sido um prazer fazer esse mergulho. Sempre precisei me dividir entre o trabalho de atriz e algum bico para ganhar dinheiro. Agora estou focada numa coisa só".

Com a coreógrafa Patrícia Carvalho Oliveira, ela passa as manhãs desenvolvendo um trabalho que, explica, "não é só de corpo". "Dividimos a vida de Maysa em seis fases e vamos vivenciando cada uma delas para que a pesquisa se torne celular, não se resuma a uma memória emocional e física. Por exemplo, quando se casou, aos 17 anos, cheia de esperança e sonhos, ela tinha uma maneira de se portar. Depois, quando ela descobriu que seu sonho romântico não era bem assim, tudo mudou. Maysa também atacava para se defender. Fizemos trabalhos físicos buscando expressar isso".

Manoel Carlos, que conheceu a cantora nos anos 1950, na TV Record, diz que esses altos e baixos estarão na história. "Essencialmente, não mudei a minha opinião sobre ela, que sempre foi muito positiva, mas confesso que fiquei surpreso com muita coisa que li, principalmente as anotações do seu diário, que revelam uma mulher madura, consciente da sua importância, mas também da sua fragilidade. Voluntariosa, agressiva às vezes, mas que também sabia pedir ajuda e compreensão. Uma mulher realmente adiante do seu tempo, inovadora e contestadora. E que sofreu muito por amar demais ou por não ser amada. Mas sempre por amor".

Porque está "entrando no mundo de Maysa", Larissa conta que "todo dia pede licença". "Eu falo assim baixinho: 'Me deixa entrar na tua vida'. É muita responsabilidade fazer uma pessoa real e, ainda por cima, a mãe do Jayme". Mas basta conferir as fotos para ver o quanto de Maysa já há em Larissa.

E a transformação ambicionada por Monjardim para antes do início das gravações é ainda maior. "A Larissa me surpreende um pouco todos os dias. Agora vamos trabalhar a voz dela, que está treinando um timbre mais grave. Feito isso, temos um software que aproximará sua voz falada da de Maysa. Na hora de cantar, usaremos dublagem, mas Larissa está aprendendo a copiar a respiração dela. O maquiador Fernando Torquatto está no projeto apenas para a caracterização de Maysa. Uma equipe americana especializada em efeitos vem testar sua aparência mais gorda, com próteses. Maysa é complicada, porque mudava muito rápido", conta ele.

Pelo visto, Larissa também está mudando depressa.



Escrito por Eterno Noveleiro às 14h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Aglomerados de personagens

Um personagem não é uma ilha. Por isso, os autores precisam sempre inventar maneiras verossímeis para fazer suas criaturas se encontrarem. Afinal, para ter história é preciso que o mocinho incomode o vilão, que trabalha junto com a mocinha, que fica amiga da irmã da vizinha e por aí vai. Esta espécie de centro de reuniões acaba sendo a chave para a maioria das novelas. Pode ser a casa dos avós, aonde a nora, viúva, ainda mora, ou uma pensão para onde vão todos que chegam à cidade ou até um edifício de classe média freqüentado por integrantes de vários núcleos. O objetivo é ampliar a possibilidade de conflitos ou romances para garantir cenas fortes sem ter de criar toda uma situação específica. "Até um café da manhã pode render uma seqüência impactante", justifica Ricardo Waddington, diretor de A Favorita.

Na atual novela das oito da Globo também há um desses "condomínios de personagens". Na casa de Irene (Glória Menezes) e Gonçalo (Mauro Mendonça), Donatela (Cláudia Raia), viúva de Marcelo, o filho assassinado do casal, era, há pouco tempo, uma das hóspedes. E ainda morava com o marido Dodi (Murilo Benício) na mesma residência. A desculpa no ar é mais que duvidosa: o casal criou Lara (Mariana Ximenes), fruto da traição de Marcelo com Flora (Patrícia Pillar). A estratégia, além de favorecer Donatela na dúvida sobre qual das protagonistas é a vilã ou a mocinha, ainda facilita o trabalho da equipe. "No ambiente rural, é difícil criar situações para que os personagens se cruzem. Em uma cidade fica mais fácil. Com isso, o cotidiano da convivência em família ajuda o desenrolar da trama", opina Ricardo.

Na Record, Gisele Joras também optou por juntar muitos personagens em único ambiente em Amor e Intrigas. A pensão de Celeste (Denise Del Vecchio) facilitou seu trabalho de estréia e garantiu momentos de tensão e cruciais para o destino dos mocinhos Felipe (Luciano Szafir) e Alice (Vanessa Gerbelli). "Criamos mais possibilidades de interligar conflitos e movimentamos vários núcleos", afirma. Gisele pensou na estratégia desde que escreveu a sinopse, em um concurso de roteiristas da emissora. "Escrevi isso em 2005. Não houve interferência da supervisão nesse detalhe", conta, orgulhosa.

Não é de hoje que a estratégia é utilizada na televisão. Antônio Calmon usou uma pousada em Vamp, de 1991, um spa em Começar de Novo, de 2004, e agora está usando novamente uma pousada em Três Irmãs, novela da sete, substituta de Beleza Pura, que estréia na Globo a partir de meados de setembro. A dona da pousada será vivida pela atriz Solange Couto. Calmon usa o recurso, apesar de afirmar que não gosta de escrever para muitos personagens em uma mesma cena. "Talvez porque eu não saiba fazer direito. Ou porque, como diretor de cinema, sei que é um saco para os atores. Mas, quando acontece, funciona bem com os telespectadores", atesta.

Sílvio de Abreu, supervisor de Andréa Maltarolli em Beleza Pura, concorda que juntar personagens de temperamentos diferentes em um mesmo ambiente é interessante para as novelas. Mas não acha que isso facilite o trabalho do autor. "É só uma maneira de contar uma história", desdenha. Mas, logo em seguida, confessa que essa é um alternativa para evitar coincidências forçadas. "Como quando todos da novela freqüentam o mesmo clube e na mesma hora ou vão assistir ao mesmo filme e escolhem determinado cinema", brinca.

Ana Maria Moretzsohn, que escreveu recentemente Luz do Sol para a Record, faz coro. Mas confessa que prefere utilizar esse recurso quando não se trata de uma residência. "É mais fácil fazer os núcleos se relacionarem em um ambiente de trabalho ou de lazer do que em suas próprias casas", afirma.

Para Marcílio Moraes, responsável pelo texto de Vidas Opostas, exibida ano passado pela Record, juntar personagens diferentes facilita o desenrolar da história, mas é tarefa das mais difíceis. Tanto que o autor prefere utilizar cenários como bares, restaurantes ou outros locais públicos e profissionais para esses encontros. "São freqüentados por todos os tipos de pessoas. Qualquer um pode se encontrar ali", justifica. Mas concorda que, quando se consegue fazer isso em uma mesma casa, o resultado é bem diferente. "Quando você junta dois inimigos no mesmo espaço constantemente, basta que eles se cruzem na sala ou no corredor para acontecer uma cena que pode elevar o Ibope", garante.

Espaço limitado

Por uma questão de orçamento e até de espaço, há sempre um limite de cenários que podem ser criados para cada novela. "Tudo depende do tamanho do estúdio que você dispõe", resume Marcílio.

Ricardo Linhares, que escreveu com Gilberto Braga a novela Paraíso Tropical, afirma que esse número é estabelecido pelo bom senso de quem escreve e de quem dirige. Mas assume que não costuma pedir cenários que não tem certeza se serão muito usados no futuro. "Sou do tempo em que uma novela terminava de ser gravada um mês antes de sua sucessora, justamente para liberar espaço", lembra, confirmando que se acostumou desde cedo a lidar com esses obstáculos.

Ana Maria Moretzsohn garante que a estratégia de juntar vários personagens em um único ambiente serve muito mais para a produção do que para os roteiristas. "Seria impossível criar várias casas ou escritórios para todos os personagens", confirma.

Já Cristianne Fridman, que se prepara para assinar sozinha o próximo folhetim das nove da Record, Chamas da Vida, garante que nunca precisou cortar cenários na emissora. "Sempre consegui um número suficiente para os meus núcleos", atesta. Mesmo entendo que existem limitações, Ricardo não concorda com o pensamento de Ana Maria. "Juntar personagens é mais pelo recurso dramático do que pela limitação de cenário", valoriza.

# Em Belíssima, Katina (Irene Ravache) e Murat (Lima Duarte) moravam com três filhos e vários netos em uma casa em São Paulo. "Representava a mistura de culturas que existe na cidade", explica o autor Sílvio de Abreu.

# Em Páginas da Vida, a mansão de Tide (Tarcísio Meira) tinha como característica principal a mesa cheia de familiares na hora das refeições. A maior parte deles morando na própria casa. Situação parecida com a de Senhora do Destino, em que todos se juntavam em torno da mesa de Maria do Carmo (Susana Vieira).

# No Toma Lá, Dá Cá, todos os personagens moram no condomínio Jambalaya. Além disso, Maria Jorge (Miguel Falabella), Celinha (Adriana Esteve), Rita (Marisa Orth) e Arnaldo (Diogo Vilela) são vizinhos de porta.

# Em Chamas da Vida, que estréia nesta terça na Record, Cristianne Fridman já criou uma pousada, uma fábrica de sorvetes, um quartel de bombeiros e uma mansão para a protagonista, além de outros ambientes onde vários personagens se cruzarão.



Escrito por Eterno Noveleiro às 14h18
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Papel decisivo

Christine Fernandes jura que a Rita de A Favorita tem chances de se transformar em um dos principais papéis de sua carreira. Segundo a atriz, é seu primeiro na televisão que mais se aproxima da realidade brasileira. Antes disso, porém, Christine disse que se realizou com a personagem Aurélia, de Essas Mulheres, novela da Rede Record. "Ganhei o domínio completo da técnica de fazer TV com a Aurélia. Algumas personagens mudam nosso futuro e isso aconteceu comigo na Record", garante.

Christine finalmente interpreta uma mãe, com direito aos conflitos esperados de uma mulher que assumiu uma gravidez sozinha. Uma surpresa para Christine, que só aos 40 anos experimenta este tipo de composição. "Já estava na hora de viver esse tipo de relação em uma novela. Até porque não sou mais nenhuma garotinha", opina.

Escalada para interpretar Rita desde julho do ano passado, Christine construiu a personagem a partir de seu histórico: mãe solteira com dificuldades financeiras. A idéia inicial do diretor Ricardo Waddington era de que Rita fosse uma mulher loura e de cabelos bem longos. Por isso mesmo a atriz chegou a colocar megahair nas madeixas em sua cor natural. Mas às vésperas de começarem as gravações, Ricardo intuiu que alguma coisa estava estranha naquele resultado. A saída foi escurecer os cabelos, deixando-a morena pela primeira vez. "Entrei em desespero e tive de mexer no comportamento dela. Mas foi melhor. O louro passa uma idéia de iluminação, de glamour. Assim me sinto mais dentro do papel", justifica, autoconfiante.

A segurança aparente tem razão. Desde que aceitou interpretar uma das protagonistas de Essas Mulheres na Record, Christine sente que sua carreira tomou rumos diferentes. A atriz já tinha recebido papéis com algum destaque nas tramas, como a Flávia Regina de Esplendor, mas reconhece que passou a ter outro status depois da experiência bem-sucedida. A Simone de Páginas da Vida veio para comprovar que a atriz estava evoluindo. Na época em que gravava para a Record, em São Paulo, Christine recebeu um e-mail do próprio autor Manoel Carlos com elogios a sua atuação. Além disso, Maneco deixou claro na troca de mensagens que gostaria de voltar a trabalhar com a atriz, que estreou na TV em História de Amor, de 1995, escrita por ele. Não deu outra. Dividida entre a proposta de um contrato longo na Record e um papel no horário nobre da Globo, Christine ficou com a segunda hipótese. "Nunca gostei de me preocupar com contratos longos. Vários colegas não têm e estão sempre no ar. Preferi optar pelo trabalho que me traria mais benefícios como atriz", lembra.

Antes de seu vínculo com a Globo acabar, Christine foi chamada para uma reunião com a direção artística e finalmente assinou, pela primeira vez, um acordo mais estendido com a emissora. Isso depois de perceber, durante a conversa, que poderia esperar por bons papéis dali para frente. "Acho que já mostrei minha capacidade, e a empresa parece ter enxergado isso também. Sei que não vou ser desperdiçada em papéis que não me exijam mais do que simplesmente decorar um texto", afirma, com firmeza.

Por enquanto, Christine tem conseguido o que queria. O convite para interpretar Rita em A Favorita veio alguns dias depois que João Emanuel Carneiro, autor da novela, assistiu ao espetáculo Hedda Gabler, que Christine encenou no Rio. E foi o próprio diretor, Ricardo Waddington, que dirigiu a então estreante atriz em História de Amor, quem ligou. "É legal ver um autor confiar em você depois de assistir à sua peça. E também acho bacana mostrar hoje ao Ricardo tudo que aprendi nesses treze anos de carreira", diz.

Por acaso

Christine sempre sonhou em ser atriz. Tanto que era a mais "exibidinha" entre as amigas. Mas a família nunca deu apoio, e seu caminho começou a ser traçado, como ela mesma diz, "no susto". Ainda pequena, arriscou-se no vôlei, mas seus 1,70 metros foram insuficientes para projetar uma carreira de sucesso. Foi quando surgiu um convite para um desfile que abriu as portas para a carreira de modelo internacional. "Em três meses eu já estava no Japão", recorda, com orgulho.

Foram sete anos de trabalho como modelo fotográfico até que alguns de seus comerciais chamaram a atenção de produtores de elenco da Globo. Convidada para um teste na emissora, não conseguiu um papel de cara, mas sim uma vaga na Oficina de Atores. Daí para interpretar a jovem Marininha em História de Amor foi um pulo. "Estreei como atriz na TV e sofri muito com isso. Entrava no estúdio com a boca trêmula de nervosismo", conta.

Em 1996, interpretou um dos papéis principais de Perdidos de Amor, na Band. Mas já em 1998 retornou à Globo, na minissérie Labirinto. Marcou presença também em Chiquinha Gonzaga e, em 2000, ganhou seu primeiro papel de maior destaque na emissora: a maquiavélica Flávia Regina de Esplendor. "Era charmoso interpretar uma vilã. Até hoje sinto saudades desse trabalho", diz.

No ano seguinte, foi escalada para integrar o elenco de Estrela Guia, último trabalho antes de tirar longos quatro anos sem um papel fixo na TV por conta do nascimento de seu filho. Até que assinou com a Record para protagonizar Essas Mulheres. "A maternidade me ajudou muito na ocasião. Acho que ser mãe limpa a mulher de várias sujeiras que os seres humanos têm", filosofa.

# Christine nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, e se mudou para o Rio de Janeiro aos 3 anos. Filha de pais brasileiros, foi criada falando português, mas voltou aos Estados Unidos para estudar.

# Sem o apoio da família, Christine decidiu se matricular em um curso de telejornalismo para tentar, de algum jeito, seguir carreira artística. "Era uma forma mais séria de me imaginar na TV, para não assustar meus pais", explica.

# Além dos papéis na TV e no teatro, Christine participou dos filmes O Trapalhão e A Luz Azul, Duas Vezes com Helena, Amores Possíveis, O Xangô de Baker Street, Lara, Rua 6, Sem Número e Mais uma Vez Amor.

# Christine nunca trabalhou como jornalista, mas pretende se aventurar nas palavras. A atriz tem um projeto para escrever para cinema e pretende incrementar seu blog com entrevistas com nomes como o do correspondente da TV Globo em Londres, Silio Boccanera.



Escrito por Eterno Noveleiro às 14h07
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




É homem ou mulher?

Depois de Mônica Martelli, Rodrigo Veronese. Em Beleza Pura, o casal Helena e Mateus ainda vai passar por muitas confusões. Ela vai reassumir a identidade de Mateus e ele vai encarnar Tânia, uma prima do farmacêutico que será sua assistente no laboratório. Assim, com os dois travestidos como o sexo oposto, eles vão pesquisar uma nova planta para compor a fórmula do tônico capilar.

Personagens travestidos não são novidade na TV. Em seu primeiro grande papel em novelas, Floriano Peixoto surpreendeu ao interpretar Sarita Vitti, um transexual em Explode Coração, novela de Glória Perez exibida em 1995. O personagem, que era do bem, caiu no gosto do público.

Há cinco anos, estreava na Globo o programa Sexo Frágil, com Wagner Moura, Lúcio Mauro Filho, Lázaro Ramos e Bruno Garcia. Todos os personagens femininos eram interpretados pelos quatro atores, que passavam horas na sala de maquiagem para ficarem o mais natural possível. O resultado? Hilário!

        

Em 2005, Miguel Magno demorava 50 minutos todos os dias para se transformar em Dona Roma, de A Lua Me Disse. O personagem da novela de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, Amoroso Valentim, não era homossexual, mas gostava de se vestir de mulher.

Mais recentemente, na minissérie Queridos Amigos, Odilon Esteves e Ricardo Monastero interpretaram os travesti Cíntia e Brenda. Esses sim eram homossexuais, e provocaram polêmica entre o grupo de amigos da série de Maria Adelaide Amaral, mas acabaram por conquistar a simpatia de todos.

  



Escrito por Eterno Noveleiro às 13h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A "fórmula" da audiência

A Record já percebeu que a maneira de alavancar a audiência das novelas é investir na ação. Amor e Intrigas até começou apostando unicamente no texto da estreante Gisele Joras, mas logo teve de se render às cenas de perseguição, tiroteios e suspense. E, depois que começou a exibir seqüências mais eletrizantes, a trama pulou de 13 para 17 pontos de média. Esse trampolim, também estimulado pela mudança de horário para as 22 horas, tem dado um fôlego extra para a história repleta de clichês folhetinescos.

A começar pela maquiavélica Valquíria (Renata Dominguez). Cada vez mais bronzeada e com figurinos mais curtos, a atrapalhada vilã há meses tem a idéia fixa de matar a irmã Alice (Vanessa Gerbelli). Para que o público fique sabendo da sua ira e das intenções assassinas, a personagem arremessa falas gigantescas conversando sozinha. Ou tendo a coitada da empregada Jacira (Gorete Milagres) como orelhão.

Para entremear os intermináveis "bifes" da atriz, Edson Spinello, diretor da trama, intercala as cenas das personagens principais com tensão e comédia. De um lado, perseguições e tiroteios, quase sempre comandados por Valquíria, na tentativa incansável de colocar sua irmã numa caixinha de madeira a sete palmos de seus saltos. Do outro lado, a trama se alimenta de uma situação cômica e um tanto constrangedora: mulheres mais velhas quase subindo pelas paredes atrás de maduros personagens solteiros. Cresce cada vez mais a quantidade de idosas ninfomaníacas na história.

Com isso, a trama esbarra na fronteira do trash. Principalmente ao mostrar o cobiçado Camilo (Jonas Bloch) atracado aos beijos com Eugênia (Maria Cláudia). Pior ainda é saber que o personagem é disputado a bolsadas por Adelaide (Eliete Cigarini) e Dorotéia (Esther Góes). Isso sem falar em Anselmo (Luiz Guilherme) que já foi literalmente atacado por Telma (Manoelita Lustosa) e Celeste (Denise Del Vecchio). Por pouco poderiam parecer personagens das clássicas chanchadas dos anos 1970.

Enquanto a comicidade beira a bizarrice, as tramas secundárias começam a ganhar mais peso na história. Alexandra (Francisca Queiroz) se mostra mais bipolar a cada dia como a patricinha de dupla personalidade que adora vagabundear por bailes funk. Volta e meia a personagem deixa de lado seu figurino de marcas internacionais para rebolar com trapinhos colados e poses pouco elegantes.

Porém, basta analisar o perfil da audiência da emissora para entender as crescentes cenas de bailes funk, perseguições e adrenalina em suas novelas. Nos últimos três anos, a audiência da dramaturgia da Record cresceu 105% nas classes D e E e apenas 26% nas classes A e B.



Escrito por Eterno Noveleiro às 12h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Nos brocados da memória

Os anos 1950 se destacaram na história da moda pelo abuso da feminilidade. Vestidos rodados, excesso de anáguas, cabelos cacheados, coques banana, olhos puxados com delineador no estilo "gatinho" e muito laquê definiram o estilo da década e eternizaram tendências.

Para retratar o glamour dos "anos dourados" no vestuário e na caracterização, a equipe da novela Ciranda de Pedra não pesquisou apenas os brocados da época. Como a trama se passa em 1958, a figurinista Gogóia Sampaio também se inspirou nas influências dos anos 1960. Mas a base de todo o croqui do figurino teve inspiração na alta-costura. "Foi a época de ouro na moda. A intenção foi fazer uma novela elegante, onde até os pobres eram arrumadinhos", explica Gogóia.

Laura, personagem de Ana Paula tinha de aparentar uma mulher madura e sofrida. Por isso, a figurinista recorreu às cores sóbrias, saia-lápis e muitas pérolas. "Adoro esse figurino que tem um corte mais seco, mais austero. É elegantérrimo", elogia a atriz. Já a maquiagem da personagem, pesquisada por Carmem Bastos e Fernando Torquato, supervisores de caracterização, foi reforçada por camadas de rímel preto para dar mais profundidade ao olhar. "Nessa época, o delineador era a vedete com os olhares de 'gatinho', que tinham um traço puxado. Esse desenho voltou à moda. Isso sem falar na boca e nas unhas vermelhas. Um clássico desde a década de 1940", exemplifica Carmem.

Mas nem todas as personagens são inspiradas em clássicos. Letícia, de Paola Oliveira, era uma mulher com atitudes de vanguarda para a época. Por isso, usa e abusa de decotes mais ousados e um cabelo mais curto, pouco utilizado pelas mulheres nesta década. Neste período, a maioria das moças exibia penteados encaracolados, coques banana e muita peruca e apliques. Já os homens eram adeptos da brilhantina e dos topetes eternizados pelo ator James Dean. "Apesar de moderninha, a Letícia é chique demais. Vai para a aula de tênis com uma roupa que eu usaria para ir para uma festa", destaca Paola.

No quesito elegância masculina, nenhum personagem se compara ao Artur X, de Guilherme Weber. Com visual meio dândi, o estilista, que na trama morou anos em Paris, foi inspirado em Dener Pamplona de Abreu, um dos costureiros brasileiros mais badalados desde a década de 1950 até a de 1970. Com ternos de linho claro e objetos singulares, como uma bengala com cabeça de cachorro e um binóculo de ópera sempre a tiracolo, o personagem ressalta o charme do figurino masculino da época. "Ele tem um ar meio Oscar Wilde. É um personagem solar. Me inspirei muito no visual dos estilistas Karl Lagerfeld e John Galliano para compô-lo", esmiúça Guilherme.

Nem todas as referências vêm da alta-costura. Elzinha, o "biscoito fino" interpretado por Leandra Leal, por exemplo, foi baseada no cinema, com o ar "femme fatale" de Marilyn Monroe: cabelo louro platinado e jeito inocente e atrevido. "Ela é uma pin-up. É a personagem que mais demora a ficar pronta e a que mais brincamos na produção", diverte-se Carmem Bastos, que explica que a maioria dos telefonemas que a Globo recebe sobre a novela é de telespectadoras querendo informações sobre a personagem, como a cor do esmalte ou da tintura de cabelo.

Esse lado sensual de Elzinha foi evitado nas três irmãs Otávia, Bruna e Virgínia, de Ariela Massotti, Anna Sophia Folch e Tammy Di Calafiori. Com figurinos de tons pastéis, o trio usa pouca maquiagem, como rímel apenas incolor e tons de rosa bem claro nos lábios. A mesma suavidade é priorizada no figurino e na caracterização das crianças, como de Nêmora Cavalheiro, que vive a serelepe Naná. "Comprei um acervo de fitas de várias cores, formatos e estampas, como o xadrez. Os mais velhos da equipe têm voltado à infância com esse trabalho", anima-se a supervisora de caracterização.



Escrito por Eterno Noveleiro às 12h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




In Memoriam: ANDRÉ VALLI

Este blog não poderia ficar sem prestar uma homenagem ao grande André Valli. O ator, que ficou conhecido do grande público por interpretar o personagem Visconde de Sabugosa no programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, adaptação feita pela TV Globo para a obra de Monteiro Lobato de 1977 a 1986, morreu na manhã do dia 20 de junho, vítima de câncer, em seu apartamento em Copacabana.

A história de Monteiro Lobato teve outras adaptações para a televisão. A última delas saiu do ar em dezembro do ano passado e estreou em 2001, pela Globo. Passou também na Cultura e na Band, desde sua estréia na extinta Tupi, em 1952.

Ou seja, tem lugar fixo no imaginário de várias gerações. A ponto de, quase 20 anos depois de sair do ar, os personagens do seriado infantil Sítio do Pica-Pau Amarelo terem voltado a se encontrar no Carnaval de 2001, quando a escola de samba carioca Mocidade Independente decidiu apresentar em seu desfile a antiga e mais famosa geração do programa. Zilka Salaberry (dona Benta), André Valli (Visconde de Sabugosa), Rosana Garcia (Narizinho), Júlio César (Pedrinho) e Romeu Evaristo (Saci). Todos saíram no carro "Bom Mesmo é Ser Criança", dedicado a Monteiro Lobato.

André Valli trabalhou também em muitas novelas na Globo, entre elas O Bem Amado, Pecado Capital, Escrava Isaura, Selva de Pedra, Laços de Família e Senhora do Destino. Ele atuou ainda em minisséries e no humorístico Zorra Total. No cinema, Valli participou de filmes como O Casamento (1975), de Arnaldo Jabor, em que interpretava o homossexual suburbano Zé Honório, e O Vampiro de Copacabana (1976), de Xavier de Oliveira, com Otávio Augusto.

E no teatro, em Divinas Palavras (1977), do autor espanhol Ramón del Valle-Inclán, sob a direção de Moacyr Góes. Com o mesmo diretor, dividiu o palco com Marília Pêra na adaptação de Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, em 1998. Atuou também na adaptação de Tartufo, o Impostor, texto de Molière adaptado por Jacqueline Lawrence em 2004, em que fazia Orgon, o burguês que se deixa enganar por Tartufo. Também dividiu o palco com Fernanda Montenegro em Alta Sociedade, de Maurto Rasi, em 2001, e Tônia Carreiro, em 2004, na peça A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Durrenmatt, também sob a direção de Moacyr Góes, entre vários outros papéis.

O último trabalho de Valli na Globo foi a minissérie Hoje é Dia de Maria - Segunda Jornada, em 2005. Na primeira parte da série, Valli representava Asmodeu, o Mágico, que tentou convencer o pai da protagonista Maria de que a menina tinha morrido, deixando o homem em desespero. Na segunda temporada, Valli era Asmodeu Rábula, um figura maléfica que queria condenar o personagem de Rodrigo Santoro, Dom Chico Chicote, o melhor amigo de Maria, a pular no mar do esquecimento e perder suas memórias para sempre.

Em novelas, seu último trabalho foi em Vidas Opostas, da Rede Record, em que interpretava Willy Berloque, em 2006. Na mesma emissora, participara de Cidadão Brasileiro, interpretando Gasosa. O corpo do ator foi velado no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana. O enterro ocorreu no cemitério Santo Amaro, no Recife, cidade onde nasceu.

Homenagem atrasada, de fato, mas mostrando o quanto André nos fará falta. Nesse instante, ele deve estar relembrando os bons momentos do Sítio com a eterna dona Benta, a grande Zilka Salaberry...



Escrito por Eterno Noveleiro às 11h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Entrevista: KADU MOLITERNO

Já faz alguns anos que Kadu Moliterno não interpreta mais personagens aventureiros, como o surfista Juba, que o consagrou, de Armação Ilimitada, em meados da década de 1980. Aos 56 anos, o ator tem feito papéis mais maduros nos últimos folhetins. Em entrevista, o ator fala sobre a Globo, a influência do Ibope e sobre seus personagens, com destaque para o Gaspar de Beleza Pura. "O Gaspar começou muito para baixo e coloquei um pouco de comédia. A direção gostou e deu certo", comemora o intérprete.

Na história, ele se descobriu pai de Rakelli, de Ísis Valverde, e voltou a se entender com o amor do passado Ivete, de Zezé Polessa. A idade pode ter avançado. Mas o astral do ator, no entanto, continua jovem. Até por isso, ainda hoje, o público o aborda para falar sobre Juba. Kadu se orgulha de ainda continuar pegando ondas todos os dias, mas está pronto para começar a interpretar avôs na TV. "Sou um esportista que virou ator. Já trabalhei com diversos autores e, às vezes, não tenho noção das alegrias que já dei para o público", valoriza.

Sua carreira ficou marcada pelo aventureiro Juba, de Armação Ilimitada, na década de 1980. Mas há alguns anos você interpreta personagens maduros, como o Gaspar de Beleza Pura. O passar do tempo ajuda ou atrapalha a sua trajetória de ator? Não acho que o tempo pese negativamente. Estou na fase de interpretar o pai e em breve vai chegar a hora de fazer o avô. A gente só soma experiência com o passar do tempo e todo diretor busca atores experientes para fugir dos problemas. O Gaspar veio em um momento ótimo para mim. É engraçado viver um cirurgião plástico que trabalha em uma clínica de estética justamente em um momento em que invisto nessa área na minha vida pessoal. Tenho um projeto de um centro de saúde e estética itinerante chamado Reviva, que levo com uma equipe de especialistas para qualquer lugar do Brasil. Sou um bom garoto propaganda porque estou com 56 anos e mostro como é possível chegar a essa idade com uma aparência jovem e bem-disposta.

Essa imagem jovem que você carrega tem a ver com o fato de muita gente ainda lembrar de você como Juba? O meu trabalho de ator nunca parou. Mas, por quatro anos, fui o Juba, e é comum que ele tenha marcado o público. Tanto é que, fazendo Beleza Pura, muitas pessoas na rua dizem: "olha lá o doutor Juba". Misturam os dois personagens. Tem gente que acha que comecei em Armação Ilimitada, mas eu já tinha quase 20 anos de carreira ali. E já fiz muitas outras coisas. Minisséries importantes, como Memorial de Maria Moura, personagens dramáticos, sem me esquecer de Paraíso, quando fiz o peão Zé Eleotério. Se vou para o interior, lembram até hoje desse papel. Estou fazendo 40 anos de carreira e deveria comemorar.

Você se sente plenamente satisfeito com o que conquistou como ator até aqui? Com o meu tempo de carreira e minha idade, não tenho problema para realizar qualquer tipo de trabalho. Em Bang Bang, fiz uma mulher, e aquilo foi uma reviravolta na minha carreira. Jamais poderia imaginar que falaria fino com uma peruca. Acho que na TV não tenho mais medo de nada. O que vier, faço com prazer. E ainda quero fazer algumas coisas.

O que, por exemplo? O cinema me chama muito a atenção, e gostaria de trabalhar nessa área. Também fiz 12 anos de teatro há bastante tempo e gostaria de retomar. Já na TV, acho que sou suficientemente experiente para assumir uma direção, e tenho vontade de fazer isso. Tentei aqui na Globo e ainda estou tentando.

Qual é a dificuldade? Hoje em dia as coisas na TV mudaram muito. Quando o André di Biasi e eu tivemos a idéia do Armação Ilimitada e levamos para o Daniel Filho, ele topou. Hoje são equipes que se reúnem para tomar decisões. Os projetos vão para uma convenção e decidem o que vai entrar na grade. Antigamente tinha o Boni. Você batia na porta dele e, dependendo do que propunha, seu projeto era realizado. Agora a empresa visa mais o Ibope mesmo. Mas, se você for criativo e se juntar às pessoas certas, consegue emplacar. Só é mais difícil.



Escrito por Eterno Noveleiro às 11h42
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Entrevista: ÍTALO ROSSI

O personagem Seu Ladir funcionou como uma arma secreta no Toma Lá, Dá Cá, da Globo. Passou o primeiro ano do seriado sendo freqüentemente citado como o excêntrico marido da síndica Álvara (Stela Miranda). Agora, no segundo ano, Ladir pegou a todos de surpresa, aparecendo maravilhosamente personificado por Ítalo Rossi, talvez o mais improvável nome para vivê-lo. "Tudo o que passa pela minha cabeça e eu gosto, eu digo que é 'mara'. Maravilhoso!", lançou Ladir logo de cara. E Ítalo - aquele dos personagens sérios, do Teatro dos Sete, dos mais de 500 papéis no teatro e dos quatro prêmios Molière - virou "o mara", gíria que diverte as crianças e foi hit na Parada Gay.

Um dos atores mais respeitados do país, com 77 anos de idade e 52 de carreira, Ítalo conta como é flertar com o sucesso a granel que só a televisão pode dar. De repouso por conta de uma tendinite, ele recebeu a reportagem em seu apartamento, no Flamengo, para uma entrevista. Uma daquelas entrevistas que é difícil interromper, que vai das noites cariocas de 40 anos atrás - "Eu era o rei da cocada preta" - ao fenômeno Obama. Não é preciso dizer que ele é "mara"!

Você acha que o que há de mais fascinante na carreira de ator hoje é o mesmo do que há 50 anos? Hoje o ator se prepara em academia, faz esgrima, fica lá com halteres. Antes, você tinha o texto. Era ali que ia caçar o interno do personagem. Senão, como é que eu ia fazer um japonês, careca que eu já era naquela época (em 1956, quando fez A Casa de Chá do Luar de Agosto)?

Já era careca? Vi as fotos e achei que aquele cabelo fosse seu... Não, imagina, aquela cabeleira! A descoberta do ator é intuição, vocação. De repente, você tem o seu "ah" e acontece. E tem de ter a certeza de que sucesso, fracasso e dificuldade de conseguir patrocínio têm de fazer parte da carreira - sem reclamar. É assim que se faz uma profissão. E, de repente, tenho 52 anos de profissão. De repente.

Sempre que se fala em você, a companhia Teatro dos Sete, que ajudou a fundar em 1959, é citada. Acha que hoje é possível se montar companhia? Não, não é mais possível. O máximo que você pode ter em cena hoje em dia são quatro atores. Não é querer falar sobre o que foi - o que foi, foi. Mas o teatro teve mesmo uma época em que tudo funcionava, havia um público que não deixava de ir. Hoje, não. Para comparar, se eu perco um filme no cinema, espero o DVD. Agora, se você perde o teatro, não tem volta, é fatal.

Se ainda houvesse as peças filmadas, como o Grande Teatro Tupi... Não quero ser contra você. Mas teatro é no teatro, cinema é no cinema e televisão é na televisão - o timing do ator é outro. No teatro, é o corpo todo. Na televisão, é meio corpo.

O teatro é essencial para o ator? É essencial. Sem palco, você não é ator. O palco é um todo, uma presença, uma voz, um jeito, uma luz. Acho que exagerei um pouco, mas é por aí.

Então, o que estar na TV representa na sua carreira? Sou muito grato por ter, no passado, feito na televisão todas as peças que fiz. Estar em novela faz parte. Não posso dizer "ah, não vou fazer". O hiato é você estar na televisão e querer segurar o sucesso para levar ao palco do teatro. Não vai ser a mesma coisa. Às vezes, você faz uma novela e tem um sucesso absurdo. Eu fiz uma em que eu era um mordomo (Alfred, de Senhora do Destino, em 2004). Agora, é esse personagem, o Seu Ladir. Entupiram o blog do programa de mensagens perguntando quando ele vai voltar. Calma, eu vou voltar! É prazeroso, porque é uma coisa que eu nunca fiz na TV: criar um tipo. Ele não é travesti, só trabalhou numa boate dublando as maiores vozes, como Judy Garland. Tem gente que vê e pensa "mas é mesmo o Ítalo Rossi?".

Sim, sua escalação para o papel foi nada óbvia. Em outubro, o Miguel Falabella (autor e ator do programa) me dizia: "Estou escrevendo um personagem para você. Se você não fizer, não vai ter personagem". Tive um grande apoio, porque o programa já estava no ar e só se falava neste Seu Ladir. Agora, tem "sorvete mara", "sanduíche mara", "ponto de encontro mara" - deu uma enlouquecida nesse sentido.

Antes do Seu Ladir, você já havia vivido homossexuais no teatro, nos anos 70. Acha que mudou a maneira como a dramaturgia retrata o homossexual? Não sei. Mas enquanto você tem o casamento gay e essa parada que reúne 4 milhões de pessoas, acho que não é questão de ser a favor ou contra, é de olhar o que está acontecendo. Em que ano seria possível uma parada como essa? Ou o sistema público pagar por cirurgias de mudança de sexo? Houve a bomba atômica, as geleiras estão derretendo, o Obama será presidente. A mudança está acontecendo. E a gente tem de estar a par. Se a sua filha brinca dizendo "isso é mara", é porque ela se interessou, sem se preocupar se o Ladir é ou não é.

Por falar nisso, acompanhou a polêmica sobre o beijo gay que não aconteceu na novela Duas Caras? Você acha que, por acaso, a hipocrisia, o orgulho, o mau caratismo e o preconceito vão diminuir se mostrarem o beijo gay na televisão? Não. Então, se não houve o beijo, mas está insinuado esse beijo, pronto. As pessoas já ganharam elementos para saber que houve o beijo entre aqueles personagens. Por que estão esperando o beijo? Não é assim, minha gente! Tem de ser inteligente e perceber que ali havia amor.



Escrito por Eterno Noveleiro às 20h40
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Novela pouco interessa atores com carreira estável

As novelas geralmente rendem fama e glamour aos atores. Mas também exigem horas de trabalho sem parar, não dão o devido tempo para o profissional se preparar, além de pedirem dedicação exclusiva, inviabilizando projetos paralelos. É por isso que, mesmo sendo o principal produto da teledramaturgia brasileira, os folhetins deixam de atrair muita gente. Com programas próprios na TV, carreira consagrada no teatro ou no cinema e vida financeira estável, não são poucos os atores que preferem dizer não a um compromisso que dura praticamente um ano.

Um deles é Diogo Vilela. "Não sinto falta de fazer novela. Se surgisse um papel maravilhoso, talvez eu topasse. Porque ator vive de bons papéis", enfatiza Diogo, o Arnaldo do humorístico Toma Lá, Dá Cá. Sua última novela foi a mal-sucedida As Filhas da Mãe, de 2001.

Mas não é só a indefinição de ter ou não um bom personagem em mãos que afugenta alguns nomes das tramas. "Bom personagem é o ator quem faz", defende Luiz Fernando Guimarães. O veterano, que atualmente interpreta o consultor sentimental Santiago em Dicas de Um Sedutor, até admite que sente saudade de fazer novela. Mas acha que o envolvimento do profissional no conjunto da produção é muito superficial e, como ele já toca projetos diferentes há bastante tempo, acredita que dificilmente se encaixaria em um folhetim. "Gosto de interferir na criação, dar minha opinião. Nas novelas, você grava e pronto. Como hoje são vários núcleos, você nem encontra alguns colegas de elenco", critica Luiz Fernando, que desde Uga Uga, em 2000, não fez mais novelas e dedica-se a programas próprios na grade de programação da Globo.

Denise Fraga também conquistou a tão almejada estabilidade elaborando seus próprios quadros para o Fantástico. Ela é contratada da Globo desde 1998, mas o último folhetim em que atuou foi no SBT, Sangue do Meu Sangue, de 1995. "Os projetos que elaborei sempre deram muito certo para mim e para a emissora. Então, não tem porque deixar de fazer isso para fazer novela", justifica a atriz. Recentemente, ela esteve na minissérie Queridos Amigos.

Outro que pode selecionar seus convites e chegou a dizer não para Gilberto Braga em Paraíso Tropical, quando foi chamado para interpretar o vilão Olavo, é Selton Mello. Ele nunca escondeu sua preferência pelo cinema e conseguiu construir uma carreira sólida distante da TV. "Novela consome muito tempo, além de levar o ator a viver sempre o mesmo tipo de personagem", defende Selton.

E, mesmo entre atores que não estão há tanto tempo longe de um folhetim, há resistência. Wagner Moura foi o centro das atenções no papel de Olavo, em Paraíso Tropical. Ainda assim, não abre mão de se dedicar ao teatro e alternar a TV com os palcos e o cinema. Para ter a liberdade de analisar bem cada convite e defender bons personagens em uma novela, Wagner não assina longos contratos. "Continuo assinando por obra", diz.

Até nomes consagrados da casa não escondem o cansaço que é se dedicar meses a uma trama. Antonio Fagundes, por exemplo, só aceitou o convite para interpretar Juvenal Antena em Duas Caras porque pôde ficar um pouco mais folgado enquanto esteve à frente de Carga Pesada. "Não planejava voltar. Mas admito que descansei desse ritmo de novela e não pude negar esse convite", resume.

A fila anda

Os autores reclamam da dificuldade cada vez maior de escalar elenco para uma novela, e os rostos mais e mais se repetem. Mas há muita gente disposta a experimentar ou reviver a corrida rotina de gravação de um folhetim. Alguns profissionais que já fizeram muito sucesso na TV perderam espaço e não negam que gostariam de voltar.

Um dos casos mais famosos é o de Narjara Turetta, atriz de muito sucesso no final dos anos 1970 e início da década de 1980. De uma hora para a outra, ela deixou de receber convites e tornou-se vendedora de cocos para tocar a vida. Reapareceu em uma pequena participação em Páginas da Vida, de 2006, mas continua esperando por novas oportunidades. "A TV precisa de renovação, e os autores devem trabalhar com quem gostam. Mas não podem dizer que falta elenco para as novelas porque há muito bom ator sem emprego por aí", ressalta Narjara.

Outra que toca uma carreira bem-sucedida no teatro, faz várias campanhas publicitárias, mas deixou de receber convites para fazer TV é Georgiana Góes. Ela, que participou recentemente de um episódio de Dicas de Um Sedutor, estreou com sucesso na série Confissões de Adolescente e fez novela pela última vez em 1997, O Amor Está No Ar. "Gosto muito de novela. Se pintar uma boa oportunidade, será um prazer", diz.

Também há marinheiros de primeira viagem que buscam espaço no principal produto da TV brasileira. Faz tempo que modelos tentam prolongar sua vida útil buscando a profissão de atriz, mas agora há também atletas almejando esse espaço. Como Robson Caetano, que vira e mexe aparece dançando no Domingão do Faustão e também faz comentários em competições de atletismo na Globo. "Tenho registro de ator e não descarto a possibilidade de fazer novela", avisa o moço.

# André Marques, que estreou como Mocotó em Malhação, está satisfeito como apresentador do Vídeo Show e não cogita voltar aos folhetins.

# Ingrid Guimarães, que estreou na TV como uma empregada em Por Amor, não nega que tem vontade de fazer novelas. Mas não de qualquer jeito. "Tem de ser um bom papel para valer a pena", ressalta.

# Outra atriz que raramente emenda novelas é Débora Bloch. "Estou sempre no teatro. Fica difícil conciliar", justifica.

# Entre as exceções está Regina Casé. Ela toca vários outros projetos na TV, mas não esconde o prazer pelos folhetins. "Adoro decorar texto e encontrar vários amigos na gravação. Sou fominha e quero fazer tudo", afirma.



Escrito por Eterno Noveleiro às 20h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A volta de Pantanal

Após muita expectativa, o SBT revelou, na noite de segunda-feira (09/06), a tão falada Arma Secreta. A emissora de Silvio Santos traz de volta um grande sucesso da década de 1990, a novela Pantanal. A obra de Benedito Ruy Barbosa, que abalou as estruturas da TV Globo, foi originalmente exibida pela Rede Manchete.

Já em sua primeira semana, a reprise suscitou várias polêmicas. Internamente, Pantanal gerou insatisfações. "Se dá ibope ou não, não muda o quadro interno. Qual a vantagem de ter dez pontos sem contratar nenhum profissional para aquela realização? É esperteza", diz uma fonte da Anhangüera. A campanha utilizada para a divulgação do produto também é alvo de críticas. Nos intervalos do SBT, são levadas ao ar propagandas que dizem: "quando terminar a novela da Globo, A Favorita, troque de canal e veja Pantanal". A mesma inscrição também é emitida várias vezes no rodapé dos programas da casa, inclusive nos infantis (a novela é classificada para maiores de 14 anos).

O SBT também partiu para uma batalha judicial contra a TV Globo, que diz deter os direitos sobre a novela, comprados diretamente do autor, Benedito Ruy Barbosa, hoje contratado da Plim-Plim. Por meio de sua assessoria de imprensa, a emissora anunciou: "Estamos estudando o assunto com nosso departamento jurídico". Já o canal de Silvio Santos afirma ter comprado as fitas betamax com as imagens originais no leilão judicial da massa falida TV Manchete, há cinco anos, e que está disposto a pagar aos profissionais que participaram das gravações em 1990.

Outra polêmica, não tão grave com as outras, é a mudança de abertura. Muitos condenam o SBT pela nova abertura computadorizada, preferindo a primeira, onde a modelo a modelo Nani Venâncio aparecia nua e se transformava numa onça. Já outros "tiram o chapéu" para a atual versão. Abaixo, estão disponíveis as duas:

Reclamações a parte, Silvio Santos respira aliviado. A novela elevou os números do canal, que durante a semana variaram de seis a dez. Antes, os programas exibidos não passavam dos quatro pontos. Prova de que a novela é sucesso garantido foi a re-re-re-reprise dos cinco primeiros capítulos da novela ontem, em uma tentativa que poderia ser suicida. Mas, segundo dados prévios, essa exibição, que começou em torno de 22h15min e só foi acabar à 01h30min, abocanhou nove pontos, e picos de onze, índice considerável, se levados em conta dia da semana, duração e horário.

Sobre a novela

Nesta primeira semana, o telespectador acompanhou a história de José Leôncio (Paulo Gorgulho), fazendeiro do Mato Grosso que, em viagem para o Rio de Janeiro, engravidou a dondoca Madeleine (Ingra Liberato). Zé Leôncio acabou se casando com ela e voltando ao Pantanal. No capítulo de segunda, Madeleine descobrirá que está grávida. Infeliz, acabará voltando para o Rio de Janeiro com o filho.

A novela ainda guarda o amor de Joventino (Marcos Winter) por Juma (Cristiana Oliveira), a filha de Maria Marruá (Cássia Kiss). Ele, o filho de Zé (Cláudio Marzo) e Madeleine (Ítala Nandi), volta ao Pantanal, já crescido, para conhecer o pai e acaba se encantando pela moça, que todos acreditam se transformar em onça.

Além de antecipar a onda ecológica, Pantanal caprichava nos banhos de cachoeira e decotes das atrizes. E tinha elenco de futuras estrelas (além das já citadas), como Carolina Ferraz, Marcos Palmeira e Ângelo Antônio.



Escrito por Eterno Noveleiro às 19h54
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Primeira protagonista

Após dois personagens pequenos na TV, Rosane Mulholland levou um susto quando foi chamada pelo diretor Del Rangel para viver uma protagonista. Na pele da francesinha Danielle em Água na Boca, nova investida da Band na dramaturgia, a atriz até que tem sido bastante requisitada no cinema nos últimos anos. Mas poucos lembram do seu rosto em novelas.

Sua última trama na TV foi como a Daniela de Sete Pecados, irmã mais nova da personagem de Priscila Fantin. Antes disso, fez apenas uma pequena participação na minissérie JK como irmã de Sara Kubistchek, de Débora Falabella. Com o convite na Band, a atriz deixou de lado personagens irmãs de atrizes conhecidas para se arriscar na gastronomia. "Sou boa de garfo, não de cozinha. Mas tento aprender a manusear uma faca, a fingir que sou boa na panela. Só me arrisco na cozinha do cenário. Em casa, só o básico", assume a atriz, apertando os olhinhos num esboço de sorriso.

De descendência irlandesa, a atriz de 27 anos não precisou fazer uma vasta pesquisa para a francesinha de nariz empinado. Para aparentar uma exímia chef de cozinha parisiense, Rosane prestou atenção em personagens de longas, como Sem Reservas e Cozinhando Para a Máfia, ambos com temática gastronômica. Além disso, vasculhou livros de receitas de chefs famosos e começou a aprender a manusear os utensílios culinários no workshop da novela. "Até agora, só fiz um risoto e batatas sauté. Mas nunca fui ligada nisso. Sou muito atrapalhada", admite.

Falante e ainda insegura quando disseca a carreira que começou em 2004 - quando viveu a guerrilheira Alice no longa Araguaya - A Conspiração do Silêncio, de Ronaldo Duque -, a brasiliense começou a chamar atenção na telona com o longa O Magnata, de Johnny Araújo, rodado em 2007. Foi com esse trabalho que despertou o interesse do diretor Del Rangel para a trama da Band. Acostumada a personagens densos e viscerais no cinema, como a exuberante operária Silmara de Falsa Loura, de 2007, a atriz assume que está se adaptando lentamente a Danielle, uma personagem de uma trama ingênua e romântica. "É uma outra proposta. Tem muito humor e está longe da densidade dos filmes que fiz. Estou aprendendo a gostar de TV. Mas cinema continua sendo meu xodó", assume a atriz.

Mesmo assim, Rosane chegou a fazer diversos testes para a TV antes de estrear em JK. "É verdade, fazia testes, mas não era chamada", confirma. E assegura que foi para a Band porque a personagem é uma protagonista. "Claro que na Globo meu trabalho era mais visto, mas isso não é o principal. Nem sempre vou optar pela audiência, mas pelo que me dá prazer", avalia.

A atriz ainda pretende filmar seu próximo longa assim que terminarem as gravações de Água na Boca, no final deste ano. "Não dá para adiantar nada. Mas é um filme austríaco, de um diretor que também não é brasileiro", desconversa.



Escrito por Eterno Noveleiro às 19h47
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Sem preocupações

Autor de Ciranda de Pedra, Alcides Nogueira diz que não está preocupado com a baixa audiência da novela. A adaptação do livro de Lygia Fagundes Telles, que estreou há pouco mais de dois meses, tem atingido média de apenas 22 pontos de audiência em São Paulo. Para Nogueira, o horário das 18 horas não é mais o mesmo.

"Os hábitos mudaram, o trânsito nas grandes cidades piorou, as pessoas não chegam mais em casa a tempo de ver a novela das seis. É muito mais complexo do que pensamos. A TV aberta, como um todo está perdendo audiência. Esperávamos um público e temos outro. É a molecada que assiste TV nessa faixa. E, infelizmente para nós, muitos deles desligam depois de Malhação e vão para o computador", admite Nogueira.

Alcides conta ainda que Ciranda de Pedra foi bem avaliada na primeira roda de discussão sobre a novela, realizado na semana passada. Formado apenas por mulheres ("Não entendo porque é só com mulheres, homem também assiste novela!", comenta ele), o grupo não identifica, segundo Nogueira, a história como de época. "Isso é ótimo. Eles dizem que a novela está linda, bem cuidada e, não sei se porque muitos dos que assistem viveram aqueles anos, não consideram uma história de época", afirma o autor.

Alcides acrescenta que, mesmo com a audiência ruim, a novela tem um público cativo. "Quem assiste gosta e não deixa de ver. Tanto que os números não baixam. Eles só não sobem (risos). E acredito mesmo que isso vai mudar. Estamos apenas no capítulo 35, ainda tem muita história pela frente, tem o boca a boca. Desejo Proibido (a antecessora no horário) também não começou muito bem".

Mesmo assim, o escritor acredita que é hora de mudanças. "Acho ótimo a Globo pensar em mudar a estratégia para as 18 horas. Torço para que a novela do Miguel (Falabella, autor da próxima história) dê certo e recupere a audiência do horário".

Nogueira também adiantou alguns momentos da história. "Agora é o momento de Afonso (Caio Blat). Já descobrimos que ele é o cúmplice de Frau Herta (Ana Beatriz Nogueira), as coisas vão começar a dar certo para ele. Laura (Ana Paula Arósio) e Daniel (Marcello Anthony) também passarão por uma boa fase. O médico vai conseguir uma grande vitória sobre Natércio (Daniel Dantas)", finaliza.



Escrito por Eterno Noveleiro às 19h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Sinal dos tempos?

Desde o início da teledramaturgia, a separação dos casais em novelas é assunto dos mais óbvios nos folhetins. Mas, com as mudanças na moralidade ao longo das décadas, os obstáculos para a felicidade dos casais têm se transformado em dor de cabeça para os autores. Hoje em dia pode parecer difícil entender, por exemplo, que uma mocinha tenha de se separar do mocinho porque as famílias se odeiam. O avanço tecnológico também mudou e derrubou as fronteiras amorosas de comunicação.

Na atualidade, é mais difícil mostrar credibilidade nos desencontros quando todos estão ao alcance do celular e da Internet. "Os filhos não respeitam mais os pais como antigamente. Argumentos como desrespeito não têm credibilidade em novelas. O novo comportamento faz com que a gente fuja dos clichês folhetinescos", avalia Silvio de Abreu, supervisor de Beleza Pura, de Andrea Maltarolli.

Na trama das sete da Globo, os filhos tomaram a posição dos pais. Eduardo (Antônio Calloni) e Débora (Soraya Ravenle) tiveram de se separar por um tempo por pressão das filhas de ambos, Luísa (Bianca Comparato) e Fernanda (Monique Alfradique). "Os pais foram impedidos como os adolescentes de antigamente. A história se inverte e mostra o sinal dos tempos", analisa Antônio Calloni.

Mais surpreendente ainda é um vilão se transformar em mocinho e reconquistar a mocinha roubada por este vilão humanizado e arrependido. Esta foi a inusitada história dos personagens Marconi Ferraço (Dalton Vigh) e Maria Paula (Marjorie Estiano), em Duas Caras. Para separar o casal principal da história, Aguinaldo Silva teve de transformar o provável mocinho num vilão para que o público apoiasse esse rompimento. "Essa nova faceta do rompimento foi muito interessante. Foi inovador", anima-se Dalton Vigh.

Na mesma trama, o preconceito que impedia o envolvimento de Evilásio (Lázaro Ramos) e Júlia (Débora Falabella) só durou poucos capítulos. "Que bom que barreiras como essas não existem mais! O Aguinaldo mostrou o que estava no subconsciente brasileiro", diz Lázaro.

Tantas novidades e mudanças de costumes não são tão bem aceitas para Antônio Calmon, que em breve estréia As Três Irmãs na Globo. "O comportamento vanguarda nessas separações é bem aceito pela elite. Mas, no interior do país, os antigos clichês ainda são muito válidos. Fora isso, a igreja e a censura disfarçada nos obrigam a seguir padrões de comportamento", critica.

Um dos padrões aceitáveis atualmente é de personagens que se relacionam com diversos homens antes de retornar ao namorado inicial. Tal comportamento tão comum seria imperdoável décadas atrás.

Para a Band, não é demérito construir uma trama dentro dos padrões previsíveis da antiga teledramaturgia, recheado de clichês, como casais que se separam por pressão familiar. Em Água na Boca, Danielle (Rosane Mulholland) e Luca (Caetano O'Maihlan) se apaixonam e terminam pela inimizade das famílias. "Queremos fazer tudo dentro dos padrões. Sem cenas de sexo e uma história clássica, que seja atrativa para toda a família", defende Elizabetta Zenatti, diretora artística da emissora.

Distante da previsibilidade de alguns autores, outros escritores optam por investir na inovação ao separar casais. Em Malhação, a autora Patrícia Moretzsohn mostrou a protagonista adolescente Angelina (Sophie Charlotte) terminando seu namoro com Gustavo (Rafael Almeida) por ter ficado grávida de outro. "O próprio fato dela não ser mais virgem já seria impensável em outros tempos. Essa separação, por ter traído e engravidado de outro, mostra como estamos mais avançados", exemplifica Patrícia.

Separações de outrora

Nem todas as tramas de época retratam as condutas antiquadas do período em que se passam. Para aproximar ainda mais as novelas de época do comportamento contemporâneo, os autores amenizam com histórias mais românticas a moral da atualidade. Em Desejo Proibido, por exemplo, Walther Negrão provocou a Igreja Católica ao mostrar um padre apaixonado por uma mulher. A história do Padre Miguel (Murilo Rosa) e Laura (Fernanda Vasconcellos) não chegou a receber tantas críticas.

Para separar o casal na história, o autor teve de mostrar a obsessão e as chantagens do sórdido Henrique (Daniel de Oliveira), ex-noivo de Laura. Tempos atrás, quando o comportamento mais conservador ainda imperava, provavelmente o público poderia torcer pela união da mocinha com o vilão, diante de sua opção de ficar com um padre. "Não discutimos a Igreja e o celibato. Isso facilita muito. Tudo que é mostrado de forma romântica é mais facilmente aceito", avalia Marcos Paulo, diretor da trama.

O mesmo comportamento contemporâneo não foi utilizado em Ciranda de Pedra, trama das seis da Globo. Laura (Ana Paula Arósio) teve um caso extraconjugal com o médico Daniel (Marcello Antony). A personagem se separou do amante por um tempo por medo de perder a guarda das filhas com Natércio (Daniel Dantas), seu marido. "O empecilho dessa relação é o medo que a Laura tem do marido não deixar que ela veja as filhas. Isso é bem antigo. Daria para acreditar na década de 1950", afirma Ana Paula.

# O adultério continua sendo um motivo atemporal para a separação de casais em novelas. Em Duas Caras, Antônio (Otávio Augusto) se separou por um tempo da namorada Débora (Juliana Knust) quando descobriu que tinha sido traído.

# Para Gisele Joras, autora de Amor e Intrigas, da Record, ciúmes, dúvidas, desconfianças e mal-entendidos sempre são instrumentos utilizados pelos autores nas separações, independentemente da moral da época. "A natureza de cada relacionamento é o que vai determinar o que pode destruí-lo. As pessoas quase sempre agem por instinto ou impulso", acredita a autora.

# Em Beleza Pura, Guilherme (Edson Celulari) e Joana (Regiane Alves) ficaram separados nos primeiros capítulos porque ela descobriu que o galã poderia ser o responsável pelo acidente com o helicóptero onde estava sua mãe, Sonia (Christiane Torloni).

# Marcílio Moraes, autor da Record, é contra os velhos recursos dramatúrgicos utilizados na hora de separar os casais na teledramaturgia. "Se o autor precisa fazer armações e buscar 'jeitinhos' para fazer isso, está com uma história bem fraquinha", afirma.



Escrito por Eterno Noveleiro às 19h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Novas séries vêm aí

Preocupada com a audiência em queda, a cúpula da Globo pretende mexer em sua programação. Segundo o colunista Daniel Castro, a emissora encomendou vários novos programas a autores e diretores e aboliu o encontro anual para decidir os rumos da rede. Agora, a cúpula escolhe o que irá ao ar e encomenda.

Entre os novos projetos para o segundo semestre, estão um seriado estrelado por Cláudia Jimenez, outro por Letícia Spiller, um programa adolescente e uma nova temporada para Os Normais, no segundo semestre de 2009.

Letícia Spiller será protagonista de Nada Fofa, que contará com direção de Jorge Fernando e roteiro da dupla Fernanda Young e Alexandre Machado. O sitcom será focado em uma advogada sem doçura nenhuma, como diz o título, assombrada por um personagem de sua infância, o Pintolino, que sempre pede para que ela se torne mais gentil.

Já o programa adolescente, também considerado uma forma de contra-atacar a Record - já que a novela Os Mutantes é focada para o público jovem -, pode ser protagonizado por cinco primos, todos com idades entre 12 e 16 anos, que surfam e tocam numa banda de rock. Os roteiristas Rafael Dragaud e Euclydes Marinho, o produtor musical Max Pierre (ex-executivo da gravadora Universal) e o surfista e fotógrafo Rick Werneck estão envolvidos no projeto, que pode ser protagonizado pelos dois filhos e por três sobrinhos de Werneck.

A Globo não se pronuncia sobre programas que ainda não entraram em produção. De acordo com a assessoria da emissora, ainda não há informações sobre o novo shows.



Escrito por Eterno Noveleiro às 19h05
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  O Globo - Revista da TV
  Tele História
  Teledramaturgia
  Terra - Gente & TV
Votação
  Dê uma nota para meu blog